sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Custo do Ressentimento

Um dia, Paulinho voltou da escola muito bravo, fazendo o maior barulho pela casa. Seu pai percebeu a irritação e chamou-o para uma conversa. Meio desconfiado e sem dar muito tempo ao pai, Paulinho foi logo falando: " Olha pai, eu estou com um tremenda raiva do Pedro. Ele fez algo que não deveria ter feito. Espero que ele leve a pior. O Pedro me humilhou na frente de todo mundo. Não quero mais vê-lo. E espero que ele adoeça e não possa mais ir à escola."
Para surpresa de Paulinho, seu pai nada disse, apenas foi até a garagem, pegou um saco de carvão e dirigiu-se para o fundo do quintal e lhe sugeriu:
"Filho, está vendo aquela camiseta branca no varal?" Vamos fazer de conta que ela é o Pedro. E que cada pedaço de carvão é um pensamento seu em relação a ele. Descarregue toda a sua raiva nele, atirando o carvão do saco na camiseta, até não sobrar mais nada. Daqui a pouco eu volto, para ver você, certo?"
O filho achou deliciosa a brincadeira propposta pelo pai e começou. Como era pequeno e estava um pouco longe, mal conseguia acertar o alvo. Após uma hora, ele já estava exausto, mas a tarefa estava cumprida. O pai, que o observava de longe, aproximou-se e perguntou:
"Filho, como está se sentindo agora?"
"Isso me deu a maior canseira, mas olhe, consegui acertar muitos pedaços na camiseta"- disse Paulinho, orgulhoso de si.
O pai olhou para o filho e disse carinhosamente:
"Venha comigo até o quarto,pois quero lhe mostrar uma coisa."
Ao chegar ao quarto, colocou o filho diante de um grande espelho que ficou assustado sem entender nada. Quando olhou para sua imagem, ficou assustado ao ver que estava todo sujo de fuligem. Tão imundo que só conseguia enxergar seus dentes e os pequenos olhos. O pai então lhe explicou:
"Veja como você ficou. A camiseta que voce tentousujar esta mais limpa que voce. Assim é a vida. Os males que desejamos aos outros retornam para nós proprios. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguem com nossos pensamentos, a mancha, os residuos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos."

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