terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A crítica invejosa


Um dia, um mendigo esfarrapado estava se arrastando de casa em casa, carregando uma malinha velha. Em cada porta, pedia alguns centavos para comprar comida. Queixava-se, imaginando por que as pessoas que tinham bastante dinheiro nunca estavam satisfeitas, sempre querendo mais. Por exemplo - disse ele - o dono desta casa, eu o conheço muito bem. Sempre foi bem nos negócios e, há muito tempo, ficou imensamente rico. Pena que não teve a sabedoria de parar por ali. Podia ter transferido os negócios para outra pessoa e passado o resto da vida descansando. Mas, em vez disso, o que foi que ele fez? Resolveu construir navios, enviando-os para comerciar com países estrangeiros. Pensou que iria ganhar montanhas em ouro. Mas caíram fortes tempestades, os navios naufragaram e toda a sua riqueza foi engolida pelas ondas. Agora, todas as suas posses jazem no fundo do ar, e sua grande riqueza desapareceu, como se acordasse de um sonho. Há muitos casos como esse. Os homens nunca ficam satisfeitos enquanto não conseguem ganhar o mundo inteiro! Quanto a mim - continuou o mendigo -, se tivesse o suficiente para comer e me vestir, não ia querer mais nada!
Nesse momento, a Fortuna veio descendo a rua e parou quando viu o mendigo. Disse-lhe: " Escute! Há muito tempo venho querendo ajudá-lo. Segure sua malinha enquanto eu despejo umas moedas de ouro nela. Mas só faço isso com um condição: o que ficar na malinha será ouro puro, mas o que cair no chão vai virar poeira. Está entendendo?"
" Sim, sim, claro que entendo", disse o mendigo já alegre. " Então tome cuidado", disse a fortuna. " Sua malinha está velha, é melhor não enche-lá muito.'' O mendigo estava tão contente que mal podia esperar. Abriu rapidamente a malinha e uma torrente de moedas de ouro foi despejada ali dentro. Logo, a malinha foi ficando pesada. " Já é o bastante?"- perguntou a Fortuna. " Ainda, não." " Mas ela já está rachando!". " Que nada! Ainda cabe mais." As mãos do mendigo começaram a tremer. Ah, se a torrente de moedas pudessem fluir para sempre !
" Agora você já é o homem mais rico do mundo!"
" Só mais um pouquinho", disse o mendigo. " Só mais uns punhados".
" Pronto, já esta cheia. Essa malinha vai explodir!"
" Mas ainda aguenta um pouquinho, só mais um pouquinho!"
Quando caiu a ultima moeda, a malinha estourou. O tesouro caiu no chão e virou poeira. A Fortuna havia desvanecido. Agora, o mendigo só tinha mesmo a malinha vazia, ainda por cima rasgada de alto a baixo. Estava mais pobre do que antes.

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